terça-feira, 2 de abril de 2013





Começa hoje campanha na Venezuela; Maduro é favorito

Sondagem do instituto de pesquisa GISXXI indica que o candidato chavista Nicolás Maduros atinge 55,3% das intenções de voto, enquanto o opositor Capriles Radonski tem 44,7%. “Estamos diante de um povo interessado no processo político, consciente de suas responsabilidades e comprometido com a democracia”, diz Jesse Chacón, o diretor do instituto.


Marcada por ditaduras, Guatemala vê genocida no banco dos réus

Um dos mais sanguinários dos muito sanguinários generais ditadores que assolaram a Guatemala, Efraín Ríos Montt, está sentado no banco dos réus, acusado de genocídio e crimes contra a humanidade, entre outras selvagerias menores.


A Guatemala vive um processo que eu e a maioria dos guatemaltecos pensávamos que jamais aconteceria: um dos mais sanguinários dos muito sanguinários generais ditadores que assolaram o país, Efraín Ríos Montt, está sentado no banco dos réus, acusado de genocídio e crimes contra a humanidade, entre outras selvagerias menores. Ao lado dele, também sendo julgado, está outro general, Mauricio Rodríguez Sánchez, seu chefe de inteligência militar, a tenebrosa G-2.


Foi curto o tempo de presidência do agora réu: durou de março de 1982 a agosto de 1983. Chegou ao poder graças a um golpe de Estado, perdeu o poder graças a outro golpe. 

Em um país com formidável histórico de golpes militares e ditaduras sanguinárias, Ríos Montt conseguiu a proeza de ter sido excepcionalmente brutal. Pastor de uma dessas seitas evangélicas criadas do nada, em seus dezesseis meses de poder absoluto criou grupos paramilitares batizados de PAC – as Patrulhas de Autodefesa Civil – que mataram pelo menos vinte mil assassinatos. Cerca de cem mil guatemaltecos se refugiaram nos países vizinhos, principalmente México e Honduras, e mais de um milhão foram expulsos de suas cidades e povoados e passaram a vagar pela Guatemala à procura de um lugar onde sobreviver.

A ditadura de Ríos Montt foi especialmente cruel com os indígenas, que são a esmagadora população do país. Não por acaso desde 1999 tentam abrir processos contra ele – na Guatemala, na Espanha –, sempre em vão. Entre outras razões, porque apesar de seus feitos brutais ele conseguiu se eleger varias vezes deputado. Perdeu a última eleição e, com ela, a imunidade parlamentar. 

Rigoberta Menchú, a índia que ganhou o prêmio Nobel da Paz, denunciou Ríos Montt e outros generais por tortura, genocídio, prisão ilegal e terrorismo de Estado diante de um tribunal espanhol. Um juiz foi até a Guatemala para interrogar os denunciados. Não conseguiu interrogar ninguém. E ficou no ar a amarga impressão de que jamais aconteceria nada contra os militares assassinos.

Pois agora aconteceu. E o que se ouve no tribunal é assustador. Os depoimentos das vítimas, principalmente das mulheres, são estarrecedores. As violações sexuais se davam em massa, ninguém – não interessava a idade – escapava. Depois de assassinar indiscriminadamente homens e rapazes, depois de devastar lavouras e incendiar aldeias, os soldados se davam à sanha perversa com as mulheres. Há relatos demolidores de pessoas que foram queimadas vivas, de membros decepados, orelhas e línguas amputadas, olhos vazados. E os estupros coletivos em praça pública. Um horror capaz de superar a mais demencial das imaginações. 

Para ouvir esses relatos, quem preside o tribunal que julga Ríos Montt e seu assecla é uma mulher com nome delicado: a juíza se chama Jazmín Barrios. A acusação tem um número concreto: 1.771 indígenas da etnia ixil foram assassinados pelos militares durante os 16 meses de poder absoluto de Ríos Montt. É menos de dez por cento do total de mortos, em sua imensa maioria maias. 

O general de 86 anos repete, numa ladainha inalterada, que reconhece que houve ‘alguns excessos’, mas garante que não sabia de nada, que não ordenou nada, que não permitiu nada.

Em cada sessão do tribunal da juíza Jazmín Barrios são ouvidas doze pessoas. Doze sobreviventes de massacres. Doze vozes que contam o horror dos horrores diante de um ancião que permanece inalterado enquanto ouve o que aconteceu em seus tempos de ditador supremo.

É raro – raríssimo, aliás – que ex ditadores sejam levados aos tribunais para responder por terrorismo de Estado. A Argentina é uma exceção particular: vários generais ditadores foram condenados a penas pesadíssimas de prisão. Na Guatemala, parecia impensável.

Entre outras mazelas, o país conta – ou contava até agora – com um sistema judicial olimpicamente inepto e corrompido. Graças a isso, para não mencionar as pressões gritantes dos militares, a impunidade parecia estar assegurada para sempre. O panorama mudou.

O julgamento de Ríos Montt e Rodríguez Sánchez é o primeiro. A Guatemala se confronta com as chagas abertas do seu passado. E poderá encontrar no resgate da verdade, na preservação da memória e na aplicação da justiça o tão necessário antídoto para deixar de ser uma sociedade envenenada pelos longos, longuíssimos anos de horror.

Via Agência Carta Maior.



Que temos de novo no cenário eleitoral paraguaio?

Partido Colorado é favorito para regressar ao poder nas eleições presidenciais de 21 de abril no Paraguai. Já a classe política progressista, dividida no pleito, deve voltar a realizar uma forte autocrítica que lhe permita pôr em disponibilidade novos discursos que comovam vontades majoritárias.



A ascensão de Fernando Lugo ao governo do Paraguai em 2008 abriu um parêntese na longa hegemonia do Partido Colorado (Associação Nacional Republicana). Sua chegada ao poder se realizou através de uma aliança de partidos e movimentos sociais, Alianza Patriótica para el Cambio, na qual um dos sócios institucionais mais importantes foi o Partido Liberal (Partido Liberal Radical Auténtico) que habilitou uma estrutura partidária nacional. Tal presença teve como contrapartida o acompanhamento do liberal Federico Franco na fórmula presidencial, hoje o presidente golpista que governa o Paraguai desde junho de 2012. Como costuma acontecer depois da recomposição das forças reacionárias no poder (neste caso via golpe de Estado parlamentar), a melhor representada nas próximas eleições é a direita.


Por um lado, o Partido Colorado traz como candidato um empresário que, com as pesquisas na mão, apagou todas as figuras de carreira no partido. Assim, Horacio Cartes instrumentaliza o partido para aceder à presidência e se converte no outsider de um partido centenário. Possui também um poder econômico que lhe brinda muitíssima autonomia na hora de financiar uma palestra de assessores internacionais. O principal assessor (outrora comercial e agora agiornado à política), Francisco Cuadra, foi homem de confiança de Pinochet e seu secretário de governo entre 1984 e 1987. Entretanto, os milhões que gastou em sua campanha não originaram um programa de governo comunicável nem um léxico claro para os tempos da televisão. Um personagem que se sente mais à vontade em reuniões privadas, pelo incômodo de enfrentar a chuva de acusações sobre as vinculações ao comércio ilegal.

Seu principal concorrente, o liberal Efraín Alegre, então ministro de Obras Públicas e Comunicações de Fernando Lugo, é hoje o candidato de um partido que não pagou ainda o custo de ser o responsável direto pelo golpe de Estado. Seu assessor, Antonio Solá, o abastece da direita espanhola de Aznar e do Partido Popular. O candidato liberal se apresenta como homem do interior do país e sua força radica no controle político de uma parte desse território, sabendo, na campanha, se descolar do setor mais retrógrado de seu partido. O mesmo pelo qual por enquanto os cálculos eleitorais não lhe dão o esperado: a estratégia de assumir o controle do Estado mediante um golpe para depois mantê-lo via mecanismo democrático não funcionou. Tudo indica que, continuando a Aliança com o luguismo, o resultado eleitoral os colocaria vitoriosos.

No segundo pelotão se encontra o amplo campo da esquerda que durou unida o tempo em que Fernando Lugo esteve no poder. Hoje se encontram espalhadas e a fragmentação ganhou o pedido “cidadão” pela unificação. Por um lado, encontramos Mario Ferreiro – que será a surpresa nestas eleições –, um apresentador de televisão que soube mostrar sua adesão e militância e, como gosta de dizer, ouviu as pessoas por 30 anos. Escolhido por Lugo para sucedê-lo antes do golpe de Estado, seu enfrentamento final com o agora ex-presidente lhe custou a ruptura e parte do declínio dos movimentos que conformavam a Frente Guasú. A partir daí, iniciou sua nova organização partidária, Avanza País, que conta como a maior força os jovens congregados no Partido do Movimiento al Socialismo. Com soltura, habilidade e uma vestimenta moderna, mostra uma arejada facilidade discursiva, sabendo dissimular seu péssimo guarani. O único dos presidenciáveis que não exibe simbologia religiosa em seu comitê de campanha. Ante um sistema político em crise, seu continuo slogan de não pertencer à “classe política tradicional e caduca” lhe brinda um acréscimo de legitimidade. Sua candidatura conseguiu se posicionar em uma socialdemocracia que lhe permite captar votos de diversas extrações políticas e sociais.

Em segundo lugar, o médico Aníbal Carrillo pela Frente Guasú, um respeitado quadro político de esquerda com uma amplíssima e solvente carreira no campo político e popular. Entretanto, é uma figura quase desconhecida para amplos setores da sociedade paraguaia ao qual Fernando Lugo – o primeiro senador de sua chapa – não pode transferir o prestígio internacional que lhe vale ainda como ex-presidente. Preocupado por aparecer como o “verdadeiro candidato de esquerda”, seu discurso não desperta grandes expectativas nem ilusões coletivas, como soube fazê-lo seu chefe direto.

Por último, Lilian Soto pelo Kuña Pyrenda, a organização política mais interessante que a longa transição à democracia colheu. Sua experiência com as organizações sociais e um verdadeiro trabalho horizontal lhe valem a maior legitimidade e compromisso social. Foi a primeira das agrupações que liderou a denúncia e resistência ao Golpe de Estado. Entretanto, o slogan “muda de posição”, aludindo o número 69, soa demasiado transgressor para uma estrutura conservadora e machista. Os conclaves masculinos, que a esquerda também conhece bem, as excluem até dos debates televisivos.

Assim colocadas as coisas, a luta por aceder à presidência deixa muitas questões abertas. Se o partido Colorado regressar ao poder, terá que evitar os “castigos morais” sobre o eleitorado. E a classe política progressista deve voltar a realizar uma forte autocrítica que lhe permita pôr em disponibilidade novos discursos que comovam vontades majoritárias. Influenciada também pela morte de Hugo Chávez, a eleição paraguaia não é inócua e dela depende também o destino da região e do Mercosul.

* (Socióloga Universidad de Buenos Aires, Investigadora CONICET, Instituto de América Latina y el Caribe. Autora: La larga invención del golpe. El stronismo y el ordem político paraguayo, Imago Mundi/CEFIR Buenos Aires/Montevideo, 2012 ). 


Via Agência Carta Maior



Os Brics afiam suas garras

Ao se reunirem na África do Sul, os Brics deram um passo que pode ter dimensões geopolíticas: montaram um pacote que prevê um banco de desenvolvimento, uma alternativa às agências de classificação de risco e uma opção ao dólar nas transações comerciais.


As notícias sobre a morte prematura dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) têm sido enormemente exageradas. Os meios de comunicação corporativos ocidentais estão cheios de insensatezes semelhantes, perpetradas, neste caso em particular, pelo chefe do Morgan Stanley Investment Management.


A realidade diz outra coisa. A reunião dos BRICS em Durban (África do Sul) desta semana serviu para, entre outros passos, criar sua própria agência de qualificação de risco e deixar à margem a ditadura (ou pelo menos as “agendas prejudicadas”, na linguagem diplomática de Nova Déli) do tipo de Moody’s/Standard & Poor’s. Também impulsionarão a ideia do Banco de Desenvolvimento dos BRICS com um capital inicial de 50 bilhões de dólares (só faltam finalizar os detalhes estruturais) para ajuda a projetos de infraestrutura e de desenvolvimento sustentável.

O que é de crucial importância é que os EUA e a União Europeia não terão interesses neste Banco do Sul, uma alternativa concreta, impulsionada especialmente pela Índia e pelo Brasil, ao Banco Mundial dominado pelo ocidente e ao sistema de Bretton Woods.

Como afirmou Jaswant Singh, ministro de finanças Indiano, um banco de desenvolvimento assim poderia, por exemplo, canalizar o know-how de Pequim para ajudar a financiar as generalizadas necessidades de infraestrutura da Índia.

As imensas diferenças políticas e econômicas entre os BRICS são evidentes. Mas à medida que se desenvolvem como grupo, o assunto principal não é se deveriam proteger a economia global da agora contínua crise do capitalismo de cassino avançado.

O principal é que, além das medidas para facilitar o comércio mútuo, suas ações se tornam certamente cada vez mais políticas, já que os BRICS não só desdobram seu poder econômico, mas que também dão passos concretos que levam a um mundo multipolar. O Brasil é particularmente ativo a esse respeito.

Inevitavelmente, os costumeiros fanáticos do consenso de Washington não podem – de maneira míope – ver outra coisa além de que os BRICS “demandam mais reconhecimento por parte das potências ocidentais”.

É claro que existem problemas. O crescimento do Brasil, da China e da Índia escasseou. Enquanto a China, por exemplo, se convertia no principal sócio comercial do Brasil (a frente dos EUA), setores completos da indústria brasileira sofreram pela competição da barata manufatura chinesa.

Mas algumas perspectivas em longo prazo são inevitáveis. Os BRICS vão acabar chegando a ser mais decisivos diante o Fundo Monetário Internacional. E o que é fundamental, os BRICS comercializarão em suas próprias moedas, incluindo um Yuan globalmente convertível, mais longe do dólar dos EUA e do petrodólar.

Essa desaceleração chinesa
Foi Jim U’Neill, do Goldman Sachs quem, em 2001, cunhou o termo BRIC (à época a África do Sul não participava). Resulta ilustrativo ver o que pensa agora a respeito.

U’Neill afirma que ainda que a China “só”cresceu 7,7% em 2012, “acho que é o equivalente a outra economia grega cada onze semanas e meia”. A desaceleração da China foi “estrutural e cíclica”, uma “queda planificada” para controlar o reaquecimento e a inflação.

O ímpeto dos BRICS forma parte de uma irresistível tendência global. A maior parte foi decifrada aqui, em um recente relatório do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas. O resultado final: o Sul global está ultrapassando o Norte na corrida econômica a uma velocidade vertiginosa.

Seguindo o relatório, “pela primeira vez em 150 anos a produção combinada das três principais economias do mundo em desenvolvimento (Brasil, China e Índia) é aproximadamente igual ao PIB combinado das antigas potências industriais do Norte”.

A conclusão obvia é que, “o crescimento do Sul está remodelando radicalmente o mundo do século XXI, no qual as nações em desenvolvimento impulsionam o crescimento econômico, arrancam centenas de milhões de pessoas da pobreza e impulsionam bilhões para uma nova classe media global”.

E justamente em meio deste processo, encontramos uma épica euro-asiática: o desenvolvimento da relação estratégica entre a Rússia e China.

Sempre se trata do Ductistão
O presidente russo Vladimir Putin não anda com contemplações: quer conduzir os BRICS a “um mecanismo de cooperação estratégica completa que nos permita procurar em conjunto soluções a problemas chave da política global”.

Isto implicará uma política exterior comum dos BRICS e não só uma coordenação seletiva sobre alguns temas. Custará tempo. Será difícil. Putin sabe perfeitamente.

O que o faz ainda mais fascinante é que Putin apresentou suas ideias durante a visita de três dias da semana passada a Moscou do novo presidente chinês Xi Jinping. Fez todo o possível para salientar que as relações russo-chinesas são agora “as melhores em sua história de séculos”.

Não é exatamente o que gostam de escutar os norte-atlanticistas hegemônicos, que continuam ansiosos por ver a relação nos termos da Guerra Fria.

Xi respondeu com estilo: “Não viemos de visita para nada” (tal como se detalha parcialmente aqui). E há que esperar até que o impulso criativo da China comece a dar seus frutos.

Inevitavelmente, o Ductistão (o gasoduto Irã-Paquistão) está no centro da primordial relação complementar dos BRICS.

A necessidade de petróleo e gás russo na China é um tema de segurança nacional. A Rússia quer vender mais e mais, diversificando do Ocidente. Também a Rússia apreciaria extraordinariamente investimentos chineses em seu extremo Oriente, a imensa região Transbaikalia.

E a propósito, o “perigo amarelo” não está se apoderando da Sibéria, como o Ocidente gostaria. Apenas 300.000 chineses moram na Rússia.

Uma consequência direta da cúpula Putin-Xi é que de agora em diante Pequim pagará adiantado o petróleo russo em troca de uma participação em uma série de projetos, por exemplo, em uma exploração conjunta da CNPC e da Rosneft de blocos offshore no Mar de Barents e outros blocos em terra na Rússia.

A Gazprom, por sua parte, fechou um esperado acordo de gás com a CNPC: 38 bilhões de metros cúbicos por ano entregues pelo gasoduto ESPO da Sibéria a partir de 2018. E para o final de 2013 os chineses fecharão um contrato com a Gazprom, que envolverá a provisão de gás durante os próximos 50 anos.

As ramificações geopolíticas são imensas. A importação de mais gás da Rússia ajuda Pequim a escapar gradualmente de seu dilema de Malaca e Ormuz – para não mencionar a industrialização das imensas províncias interiores, altamente povoadas e muito dependentes da agricultura, deixadas para trás no auge econômico.

Dessa maneira o gás russo se ajusta ao plano mestre do Partido Comunista da China: configurar as províncias do interior como uma base de abastecimento para a classe média chinesa de 400 milhões, crescentemente ricos, urbanos, baseados na costa leste.

Quando Putin afirmou que não considera a os BRICS um “competidor geopolítico” com o Ocidente, pronunciou o argumento decisivo: o desmentido oficial que confirma que é assim. Durban poderá solidificar só o começo de uma competição semelhante. É demais dizer que ainda que as elites ocidentais estejam desaparecidas no estancamento e à bancarrota, não permitirão que se percam alguns de seus privilégios sem um sanguinário enfrentamento.

Pepe Escobar é autor de ‘Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War’ (Nimble Books, 2007) e de ‘Red Zone Blues: a snapshot of Baghdad during the surge’. Seu livro mais recente é ‘Obama does Globalistan’ (Nimble Books, 2009). Contato: pepeasia@yahoo.com


Via Agência Carta MAIior