Este é um espaço fundamentalmente dedicado a indexar notícias relacionadas a política na América Latina e Caribe. Para o debate de questões relativas a Ciência Política e a Política Internacional e para promoção de uma cultura integracionista latino-americana. Um meio também de divulgação da pesquisa e produção acadêmica do autor deste blog.
terça-feira, 29 de março de 2011
No Uruguai, Lula defende realizações da esquerda
Na noite de 26 de março realizou-se em Montevidéu o 40° aniversário de comemoração do ato político que mudou a história do Uruguai. Para a esquerda uruguaia é uma data muito importante. No dia 26 de março de 1971, dezenas de milhares de uruguaios realizaram um ato político tão massivo, tão grande e tão bem organizado que todo o país ficou comovido. Aquele ato original representou o primeiro marco de uma nova realidade política que demonstrava que havia uma parcela da cidadania que queria mudanças no rumo do país e que batizava uma nova organização, surgida no mês anterior e chamada Frente Ampla, com a presença massiva da cidadania na rua.
Os partidos tradicionais do Uruguai, Branco e Colorado, compreenderam rapidamente que este novo partido em forma de frente política estava surgindo para disputar uma porção importante do poder. Até ali puderam ver. A história continuaria.
O ato de 26 de março de 1971 evidenciou o mais importante, no que se refere aos destinos da República. Havia um modelo de governar, uma forma de fazer política que estava esgotada. Os ancestrais partidos Colorado e Nacional estavam sem um norte para seguir. Não tinham um projeto nacional. Seu ciclo estava começando a declinar enquanto este novo partido formulava sua visão da sociedade no longo prazo, propunha medidas no médio prazo, formulava de forma estruturada um programa de governo e, além disso, havia lançado um conjunto de 30 medidas urgentes de curto prazo para solucionar os problemas mais importantes do país.
O resto da história já é um pouco mais conhecida. A Frente Ampla chegou ao governo em 2004 com o apoio de mais da metade da cidadania do país. Passou daqueles 7 deputados e 4 senadores para uma maioria absoluta das duas câmaras, até o dia de hoje. O país cresceu e cresce a taxas muito altas que foram entre 4% até os 8,5% de 2010, e todos os indicadores sociais melhoraram quantitativamente e qualitativamente. Não é preciso abusar das cifras neste tipo de nota.
A esquerda
Logo depois do processo exitoso vigente, a esquerda também começou a repensar seu destino. A esquerda precisava de uma sacudida de ideias que a permitisse posicionar-se em direção ao futuro e seus compromissos na elaboração de uma sociedade melhor. Mas agora a esquerda podia e pode elaborar suas ideias e seus projetos com uma mudança substancial, um profundo conhecimento da realidade. A época das consignas passou a uma época de outra riqueza. Agora a esquerda elabora suas ideias e seus programas, seus planos, suas políticas e suas medidas executivas baseadas na mais clara e concreta das realidades. Das realidades reais, digamos.
Esquerda radical
E Lula veio e falou disso. O homem duas vezes presidente do Brasil, torneiro mecânico de origem, não esqueçamos deste dado, falou à esquerda uruguaia. Falou desde a emoção das palavras e sentimentos, mas se posicionou como um homem de esquerda que mudou radicalmente a realidade do maior país da América do Sul, que fez seu povo acreditar que podia desenvolver o país, que podia desenvolver sua indústria, que podia mudar todos os indicadores sociais, que era possível ingressar em uma nova cultura de desenvolvimento e de construção de uma nova autoestima no marco da integração em pé de igualdade com os demais países da região.
Reconheceu todas as dificuldades, mas marcou a realidade dos números sociais e produtivos. Números que implicam que, em cada um deles, há seres humanos de carne e osso. Números que implicam que o norte da preocupação e das responsabilidades da esquerda é o fim da pobreza, o fim dos miseráveis e o começo da nova etapa de consolidação de justiça e de direitos.
E Lula parou diante dos EUA. Deu as costas à lisonja de Obama, e deu as mãos às economias latino-americanas com as quais hoje tem um sustentável e equilibrado comércio exterior, tema que destacou em seu discurso em Montevidéu. Lula falou do desenvolvimento, mas de um desenvolvimento em integração. Falou do imperialismo, mas disse que o Brasil não ia construir um novo imperialismo e que essas ideias que algum momento já estiveram na cabeça de alguns, hoje, deram lugar à via da verdadeira integração multilateral, da integração da América Latina.
Lula disse: somos companheiros, somos parceiros, somos uma nova realidade que chegou para mudar a realidade sem olhar nunca mais os paradigmas dos países desenvolvidos. Países que hoje estão vendo que eles, os desenvolvidos, podem rapidamente “latinoamericanizar-se”, ao velho estilo do empobrecimento e endividamento infinito de seus países.
Uruguai
No final do ato, a Frente Ampla exibiu um vídeo de cerca de 10 minutos. Essa peça traz a mais exata síntese do que a esquerda está fazendo e concretizando. Sempre se pode aparentar muito mais, com palavras radicalmente estrondosas. Mas as mudanças radicalmente revolucionárias são as que esse vídeo mostrou com simplicidade e precisão. (UyPress – Agência Uruguaia de Noticias)
Fonte: http://www.cartamaior.com.br
sábado, 26 de março de 2011
Uruguay y Paraguay resaltan importancia de Mercosur en su vigésimo aniversario
El Gobierno de Uruguay destacó la importancia del Mercado Común del Sur (Mercosur), apropósito de cumplirse este sábado su vigésimo aniversario. La celebración de la fecha se efectuará en la clausura del II Encuentro de la Nación Guaraní, en Paraguay.
A través de un comunicado, la Cancillería uruguaya recordó la creación de este organismo, que partió del Tratado de Asunción firmado por Argentina, Brasil, Paraguay y Uruguay.
El texto agrega que luego del establecimiento del organismo se profundizó el diálogo entre los países de la región, así como también se intensificó la cooperación entre los países.
También señala que gracias al ente, el comercio en la región tuvo ganancias por unos 45 mil millones de dólares, es decir, 10 veces más de lo obtenido en el año fundacional.
"Un ejemplo contundente de esa madurez es el Fondo de Convergencia Estructural del Mercosur (Focem), que tiene hoy casi mil millones de dólares volcados a reducir las diferencias de desarrollo entre los socios", agrega el comunicado.
El mensaje de la Cancillería uruguaya recalcó la necesidad de continuar perfeccionando el organismo, así como también de reflexionar "sobre el sólido patrimonio acumulado a lo largo de este proceso".
Este sábado, el presidente paraguayo, Fernando Lugo asistirá acompañado del vicepresidente de Bolivia, Álvaro García Linera, a un lugar sagrado del pueblo guaraní para los actos conmemorativos de los 20 años de existencia del Mercosur.
El Mercosur fue creado el 26 de marzo de 1991 luego de que los mandatarios de Argentina, Brasil, Paraguay y Uruguay del momento, firmaran el Tratado de Asunción.
La celebración del aniversario del organismo se realizará este sábado durante la clausura del II Encuentro Nacional Guaraní, que reúne a originarios de la mencionada etnia de los países que integran el Mercosur.
En la reunión del pueblo nativo, que comenzó el 24 de marzo y culmina este sábado, se debaten temas sobre la territorialidad, el libre tránsito de los originarios por regiones consideradas de la Nación Guaraní dentro de los países del Mercosur y la creación de una instancia permanente para los indígenas, dentro del bloque regional.
El encuentro se efectuará en la región de los Paî Tavyterâ, entre los cerros Jasuka Venda en el departamento de Amambay (centroeste de Paraguay), lugar sagrado para las etnias, donde surgió su Dios Creador.
Fonte: http://www.telesurtv.net
A través de un comunicado, la Cancillería uruguaya recordó la creación de este organismo, que partió del Tratado de Asunción firmado por Argentina, Brasil, Paraguay y Uruguay.
El texto agrega que luego del establecimiento del organismo se profundizó el diálogo entre los países de la región, así como también se intensificó la cooperación entre los países.
También señala que gracias al ente, el comercio en la región tuvo ganancias por unos 45 mil millones de dólares, es decir, 10 veces más de lo obtenido en el año fundacional.
"Un ejemplo contundente de esa madurez es el Fondo de Convergencia Estructural del Mercosur (Focem), que tiene hoy casi mil millones de dólares volcados a reducir las diferencias de desarrollo entre los socios", agrega el comunicado.
El mensaje de la Cancillería uruguaya recalcó la necesidad de continuar perfeccionando el organismo, así como también de reflexionar "sobre el sólido patrimonio acumulado a lo largo de este proceso".
Este sábado, el presidente paraguayo, Fernando Lugo asistirá acompañado del vicepresidente de Bolivia, Álvaro García Linera, a un lugar sagrado del pueblo guaraní para los actos conmemorativos de los 20 años de existencia del Mercosur.
El Mercosur fue creado el 26 de marzo de 1991 luego de que los mandatarios de Argentina, Brasil, Paraguay y Uruguay del momento, firmaran el Tratado de Asunción.
La celebración del aniversario del organismo se realizará este sábado durante la clausura del II Encuentro Nacional Guaraní, que reúne a originarios de la mencionada etnia de los países que integran el Mercosur.
En la reunión del pueblo nativo, que comenzó el 24 de marzo y culmina este sábado, se debaten temas sobre la territorialidad, el libre tránsito de los originarios por regiones consideradas de la Nación Guaraní dentro de los países del Mercosur y la creación de una instancia permanente para los indígenas, dentro del bloque regional.
El encuentro se efectuará en la región de los Paî Tavyterâ, entre los cerros Jasuka Venda en el departamento de Amambay (centroeste de Paraguay), lugar sagrado para las etnias, donde surgió su Dios Creador.
Fonte: http://www.telesurtv.net
Países da América Latina se posicionam sobre conflito na Líbia
Desde o último dia 15 de fevereiro, o ditador da Líbia, Muamar Khadafi – há 42 anos no poder – enfrenta uma revolta popular que já deixou centenas de mortos e mais de 300.000 desabrigados. O conflito no país chamou a atenção do mundo e fez com que países liderados pelos Estados Unidos, França, Inglaterra e países aliados iniciassem ataques aéreos no sábado (19).
Diante da situação de guerra os presidentes dos países da América Latina, se pronunciaram e, em sua maioria se posicionaram de forma contrária ao bombardeio. Alguns líderes latino-americanos acreditam que o ataque tem interesse comercial e visa apenas o petróleo do território líbio.
Essa é a opinião do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que condenou o bombardeio e disse que a intervenção militar é uma ‘loucura imperial’. Chávez afirmou que o interesse é o petróleo líbio. Para ele, a organização das Nações Unidas violou princípios fundamentais por ter apoiado o ataque aéreo e ter respaldado a zona de exclusão aérea para a Líbia.
Hugo Chávez é aliado do ditador líbio Muamar Khadafi e solicitou uma mediação para buscar uma solução negociada desde que os grupos rebeldes se manifestaram. Ele propôs a criação de uma comissão internacional de paz para ajudar a resolver o conflito interno na Líbia.
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, também condenou a intervenção militar da coalizão internacional e concordou com Chávez dizendo que os ataques tem o objetivo de tomar posse do petróleo da Líbia. “Agora vem uma guerra externa (contra a Líbia) das potências buscando como arrebatar o petróleo, porque o interesse deles é o petróleo. O de democracia é puro conto”, declarou, segundo o portal oficial do governo ‘El 19′.
Para Ortega, a intervenção militar na Líbia está longe de ser uma saída pacífica e contribui apenas para agravar mais o problema da região, que já tem o histórico de conflitos no Iraque e Afeganistão. A mesma opinião tem o cancheler da Venezuela, Nicolás Maduro, quem afirmou que os ataques podem provocar “uma situação de guerra no Mediterrâneo com consequências inimagináveis”.
O líder da Bolívia, Evo Morales, se pronunciou sobre o caso durante o III Encontro do Conselho Ministerial da ALBA (Aliança Bolivariana das Américas), em Cochabamba. O mandatário rechaçou a intervenção militar na Líbia e também acredita que o ataque é um pretexto para se chegar ao petróleo, assim como aconteceu no Iraque.
Ele comentou que os países que promovem os ataques devem ser investigados e punidos pelas violações de direitos humanos e lançou uma observação: “Quando tem um conflito em Honduras, um golpe de Estado, nem as potências nem ninguém se mobiliza. Que contradição dos distintos impérios!”.
Fernando Lugo, presidente do Paraguai, disse que “nenhum tipo de violência é justificada” e lamentou que as Nações Unidas tenham legitimado o ataque. A mesma opinião tem o presidente do Uruguai, José Mujica e o governo da Argentina. Da mesma forma, o Equador expressou que os ataques são “inadmissíveis” e promovem uma escalada de violência. Por meio de um comunicado o governo equatoriano de Rafael Correa disse que seu país “sempre defendeu a paz e a solução das controvérsias de maneira pacífica”.
O cubano Fidel Castro também se pronunciou sobre os conflitos e pôs em dúvida a utilidade do Conselho de Segurança da ONU. Questionou ainda o poder militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que apoia a coalizão internacional.
A presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, que recebeu a visita do presidente estadunidense Barack Obama, no sábado (19), dia em que ele autorizou o início dos ataques na Líbia, defende o cessar-fogo no país africano. O Brasil destaca a necessidade da busca do diálogo e a proteção da população civil.
O ministro da Justiça brasileiro, José Eduardo Cardozo, afirmou hoje (24) que a posição do governo brasileiro sobre a situação da Líbia é “uma postura correta, coerente e soberana, dentro dos princípios históricos que orientam as relações internacionais do país”. O Brasil foi um dos cinco membros do Conselho de Segurança da ONU e se absteve na votação da resolução 1973, que criou a zona de exclusão aérea na Líbia.
Por outro lado, países como Chile, Peru e Colômbia apoiam os ataques. Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, que é membro do Conselho de Segurança da ONU, disse que seu país sempre vai apoiar as posições que defendem a liberdade e a democracia. O governo chileno, apesar de deplorar as ações executadas pelo regime líbio e apoiar os ataques contra a Líbia, disse esperar que a violência tenha fim.
Fonte: http://www.cartacapital.com.br
Diante da situação de guerra os presidentes dos países da América Latina, se pronunciaram e, em sua maioria se posicionaram de forma contrária ao bombardeio. Alguns líderes latino-americanos acreditam que o ataque tem interesse comercial e visa apenas o petróleo do território líbio.
Essa é a opinião do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que condenou o bombardeio e disse que a intervenção militar é uma ‘loucura imperial’. Chávez afirmou que o interesse é o petróleo líbio. Para ele, a organização das Nações Unidas violou princípios fundamentais por ter apoiado o ataque aéreo e ter respaldado a zona de exclusão aérea para a Líbia.
Hugo Chávez é aliado do ditador líbio Muamar Khadafi e solicitou uma mediação para buscar uma solução negociada desde que os grupos rebeldes se manifestaram. Ele propôs a criação de uma comissão internacional de paz para ajudar a resolver o conflito interno na Líbia.
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, também condenou a intervenção militar da coalizão internacional e concordou com Chávez dizendo que os ataques tem o objetivo de tomar posse do petróleo da Líbia. “Agora vem uma guerra externa (contra a Líbia) das potências buscando como arrebatar o petróleo, porque o interesse deles é o petróleo. O de democracia é puro conto”, declarou, segundo o portal oficial do governo ‘El 19′.
Para Ortega, a intervenção militar na Líbia está longe de ser uma saída pacífica e contribui apenas para agravar mais o problema da região, que já tem o histórico de conflitos no Iraque e Afeganistão. A mesma opinião tem o cancheler da Venezuela, Nicolás Maduro, quem afirmou que os ataques podem provocar “uma situação de guerra no Mediterrâneo com consequências inimagináveis”.
O líder da Bolívia, Evo Morales, se pronunciou sobre o caso durante o III Encontro do Conselho Ministerial da ALBA (Aliança Bolivariana das Américas), em Cochabamba. O mandatário rechaçou a intervenção militar na Líbia e também acredita que o ataque é um pretexto para se chegar ao petróleo, assim como aconteceu no Iraque.
Ele comentou que os países que promovem os ataques devem ser investigados e punidos pelas violações de direitos humanos e lançou uma observação: “Quando tem um conflito em Honduras, um golpe de Estado, nem as potências nem ninguém se mobiliza. Que contradição dos distintos impérios!”.
Fernando Lugo, presidente do Paraguai, disse que “nenhum tipo de violência é justificada” e lamentou que as Nações Unidas tenham legitimado o ataque. A mesma opinião tem o presidente do Uruguai, José Mujica e o governo da Argentina. Da mesma forma, o Equador expressou que os ataques são “inadmissíveis” e promovem uma escalada de violência. Por meio de um comunicado o governo equatoriano de Rafael Correa disse que seu país “sempre defendeu a paz e a solução das controvérsias de maneira pacífica”.
O cubano Fidel Castro também se pronunciou sobre os conflitos e pôs em dúvida a utilidade do Conselho de Segurança da ONU. Questionou ainda o poder militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que apoia a coalizão internacional.
A presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, que recebeu a visita do presidente estadunidense Barack Obama, no sábado (19), dia em que ele autorizou o início dos ataques na Líbia, defende o cessar-fogo no país africano. O Brasil destaca a necessidade da busca do diálogo e a proteção da população civil.
O ministro da Justiça brasileiro, José Eduardo Cardozo, afirmou hoje (24) que a posição do governo brasileiro sobre a situação da Líbia é “uma postura correta, coerente e soberana, dentro dos princípios históricos que orientam as relações internacionais do país”. O Brasil foi um dos cinco membros do Conselho de Segurança da ONU e se absteve na votação da resolução 1973, que criou a zona de exclusão aérea na Líbia.
Por outro lado, países como Chile, Peru e Colômbia apoiam os ataques. Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, que é membro do Conselho de Segurança da ONU, disse que seu país sempre vai apoiar as posições que defendem a liberdade e a democracia. O governo chileno, apesar de deplorar as ações executadas pelo regime líbio e apoiar os ataques contra a Líbia, disse esperar que a violência tenha fim.
Fonte: http://www.cartacapital.com.br
quinta-feira, 24 de março de 2011
Com 20 anos de Mercosul, Venezuela ainda aguarda autorização para entrar
Prestes a completar 20 anos, o Mercosul vive momentos de indecisão sobre a inclusão da Venezuela no bloco. A questão divide opiniões de parlamentares e especialistas. As principais polêmicas relacionam-se ao presidente Hugo Chávez.
Atualmente, a inclusão no bloco sul-americano depende apenas do parlamento paraguaio, já que os congressos dos outros três países se posicionaram a favor do protocolo assinado em julho de 2006. O processo, em cada um dos países, teve sua dose de debates acalorados. No Brasil, o Legislativo concluiu apenas em 2009 a votação da entrada venezuelana (leia box).
Apesar da liderança polêmica exercida por Chávez, a Venezuela goza de uma simpatia razoável na América Latina, analisa Luiz Augusto Faria, professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Esse prestígio vale inclusive entre os países do Caribe, o que poderia, segundo Faria, ampliar o espaço do Mercosul, que nasceu com o pretexto de virar uma zona de integração da América do Sul.
"Não só do ponto de vista econômico, mas também político. Cada um tem um voto na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), e isso beneficiaria o almejo brasileiro na organização", explica. Os principais objetivos do Brasil dizem respeito à reforma de instâncias como o Conselho de Segurança, com a inclusão de novos membros permanentes e extinção do direito de veto.
Integrantes de partidos tanto da oposição quanto da situação alegavam que aquela nação descumpre a cláusula democrática, uma das exigências para se ingressar no bloco. PSDB, DEM, PPS, PMDB e PTB acabaram convencidos por Ledezma.
Para alguns acadêmicos, a discussão em torno da entrada da Venezuela no bloco significaria um rompimento das cláusulas democráticas do bloco, além de envolver outros entraves políticos na negociação de acordos comerciais com outros países. O Protocolo de Ushuaia, assinado em 1998 na Argentina, estabelece que todos os países-membros devem seguir preceitos democráticos.
"O que complica não é ser do Mercosul, é que o Chávez tem uma estratégia interna de desenvolvimento que é conflitante com a brasileira", opina Miriam Gomes Saraiva, professora de Relações Internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).
Entretanto, para o professor de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Fernando Sarti, os países são maiores que seus governos, independentemente de concordâncias políticas. Para ele, o espírito integracionista está acima dos governos. "A Venezuela não é o o governo atual. E ela (nação) vai continuar ali de alguma maneira", pontua.
Para Luiz Augusto Faria, que defende a entrada da Venezuela no bloco, o Mercosul tem sua cláusula democrática rígida e qualquer má condução por parte do governo venezuelano resultaria na sua expulsão. "Eu vejo uma tendência de que a política na Venezuela se aproxime mais ao que acontece no Brasil e na Argentina", explica Faria. Ele refere-se à conduta da oposição ao governo venezuelano, que intensificou a pressão por mais democracia sobre Chávez dentro do que preveem as instituições do país.
Para o ingresso de novos membros do Mercosul, além do Protocolo de Ushuaia, é necessário que o país incorpore o Tratado de Assunção, o Protocolo de Ouro Preto e o Protocolo de Olivos para Solução de Controvérsias, que regem o Mercosul. Também é necessário que adote-se a Tarifa Externa Comum (TEC), que define impostos de importação comum entre os membros do bloco para produtos de outros países.
Para a professora Miriam, outra questão provocada pela adesão venezuelana é a não adaptação de seu comércio exterior à TEC. "Eles nunca deram um passo (sequer) para de fato entrar no Mercosul", explica.
O pesquisador descarta a possibilidade de as posições "anti-imperialistas" do governo Chávez prejudicar acordos comerciais do Mercosul com outros blocos. Segundo Faria, a relação venezuelana com a Europa não tem muito destaque, já que o principal parceiro comercial venezuelano são os Estados Unidos. "A Venezuela nunca fez nada para perder a confiabilidade de nenhum dos países, eles (a Venezuela) nunca pararam de exportar petróleo, nem mesmo aos EUA (apesar das críticas)", pondera.
Faria destaca também o fato de a Venezuela já ter um histórico como importante parceiro comercial brasileiro. Em 2010, o Brasil chegou a um superávit de mais de R$ 3 bilhões no comércio com a Venezuela. "Além de produtos, a gente exporta muito serviço pra eles também e isso é uma coisa que deve intensificar com a adesão ao Mercosul", pontuou Faria.
Para Fernando Sarti, a adesão do país faz com que o Brasil e a própria Venezuela ganhem, assim como a sociedade. "A Venezuela é necessária para o Mercosul. Mercosul é necessário para a Venezuela. Há ampliação de mercado para todos os países, todos ganham", destaca o deputado federal Dr. Rosinha (PT/PR) que já presidiu o Parlasul, braço legislativo do bloco.
Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br
Atualmente, a inclusão no bloco sul-americano depende apenas do parlamento paraguaio, já que os congressos dos outros três países se posicionaram a favor do protocolo assinado em julho de 2006. O processo, em cada um dos países, teve sua dose de debates acalorados. No Brasil, o Legislativo concluiu apenas em 2009 a votação da entrada venezuelana (leia box).
Apesar da liderança polêmica exercida por Chávez, a Venezuela goza de uma simpatia razoável na América Latina, analisa Luiz Augusto Faria, professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Esse prestígio vale inclusive entre os países do Caribe, o que poderia, segundo Faria, ampliar o espaço do Mercosul, que nasceu com o pretexto de virar uma zona de integração da América do Sul.
"Não só do ponto de vista econômico, mas também político. Cada um tem um voto na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), e isso beneficiaria o almejo brasileiro na organização", explica. Os principais objetivos do Brasil dizem respeito à reforma de instâncias como o Conselho de Segurança, com a inclusão de novos membros permanentes e extinção do direito de veto.
Embate no Senado acabou em 2009
Fundamental para a aprovação foi a visita ao Senado do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, forte opositor de Chávez. Em Brasília, ele pediu aos parlamentares que votassem a favor da medida que autorizava a entrada da Venezuela no bloco, argumentando que deixar o país isolado seria o pior para a democracia.
Integrantes de partidos tanto da oposição quanto da situação alegavam que aquela nação descumpre a cláusula democrática, uma das exigências para se ingressar no bloco. PSDB, DEM, PPS, PMDB e PTB acabaram convencidos por Ledezma.
Para alguns acadêmicos, a discussão em torno da entrada da Venezuela no bloco significaria um rompimento das cláusulas democráticas do bloco, além de envolver outros entraves políticos na negociação de acordos comerciais com outros países. O Protocolo de Ushuaia, assinado em 1998 na Argentina, estabelece que todos os países-membros devem seguir preceitos democráticos.
"O que complica não é ser do Mercosul, é que o Chávez tem uma estratégia interna de desenvolvimento que é conflitante com a brasileira", opina Miriam Gomes Saraiva, professora de Relações Internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).
Entretanto, para o professor de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Fernando Sarti, os países são maiores que seus governos, independentemente de concordâncias políticas. Para ele, o espírito integracionista está acima dos governos. "A Venezuela não é o o governo atual. E ela (nação) vai continuar ali de alguma maneira", pontua.
Para Luiz Augusto Faria, que defende a entrada da Venezuela no bloco, o Mercosul tem sua cláusula democrática rígida e qualquer má condução por parte do governo venezuelano resultaria na sua expulsão. "Eu vejo uma tendência de que a política na Venezuela se aproxime mais ao que acontece no Brasil e na Argentina", explica Faria. Ele refere-se à conduta da oposição ao governo venezuelano, que intensificou a pressão por mais democracia sobre Chávez dentro do que preveem as instituições do país.
Para o ingresso de novos membros do Mercosul, além do Protocolo de Ushuaia, é necessário que o país incorpore o Tratado de Assunção, o Protocolo de Ouro Preto e o Protocolo de Olivos para Solução de Controvérsias, que regem o Mercosul. Também é necessário que adote-se a Tarifa Externa Comum (TEC), que define impostos de importação comum entre os membros do bloco para produtos de outros países.
Para a professora Miriam, outra questão provocada pela adesão venezuelana é a não adaptação de seu comércio exterior à TEC. "Eles nunca deram um passo (sequer) para de fato entrar no Mercosul", explica.
Economia
Para alguns especialistas, a entrada da Venezuela no Mercosul ofereceria ao bloco uma maior diversidade econômica, em razão da crescente industrialização que o país apresenta. Esse índice ainda é bem menor do que no Brasil e mesmo na Argentina, em parte pela dependência criada no país em torno do petróleo. Porém, justamente a questão energética reforçaria o trunfo da América do Sul, explica Luiz Augusto Faria.O pesquisador descarta a possibilidade de as posições "anti-imperialistas" do governo Chávez prejudicar acordos comerciais do Mercosul com outros blocos. Segundo Faria, a relação venezuelana com a Europa não tem muito destaque, já que o principal parceiro comercial venezuelano são os Estados Unidos. "A Venezuela nunca fez nada para perder a confiabilidade de nenhum dos países, eles (a Venezuela) nunca pararam de exportar petróleo, nem mesmo aos EUA (apesar das críticas)", pondera.
Faria destaca também o fato de a Venezuela já ter um histórico como importante parceiro comercial brasileiro. Em 2010, o Brasil chegou a um superávit de mais de R$ 3 bilhões no comércio com a Venezuela. "Além de produtos, a gente exporta muito serviço pra eles também e isso é uma coisa que deve intensificar com a adesão ao Mercosul", pontuou Faria.
Para Fernando Sarti, a adesão do país faz com que o Brasil e a própria Venezuela ganhem, assim como a sociedade. "A Venezuela é necessária para o Mercosul. Mercosul é necessário para a Venezuela. Há ampliação de mercado para todos os países, todos ganham", destaca o deputado federal Dr. Rosinha (PT/PR) que já presidiu o Parlasul, braço legislativo do bloco.
Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br
Mesa do Senado aprova nova representação do Brasil no Parlasul
Proposta ainda será incluída na pauta do Congresso (sessão conjunta da Câmara e do Senado).
A Mesa do Senado aprovou hoje o anteprojeto de resolução que define a nova composição da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul). De acordo com o anteprojeto, o Brasil passará a ter 37 representantes no Parlasul, sendo 27 deputados e 10 senadores, com igual número de suplentes.
Até dezembro do ano passado, a Representação Brasileira no Parlasul era composta por 18 parlamentares, sendo 9 deputados e 9 senadores. Essa composição era estabelecida pela Resolução 1/07, que não está mais em vigor.
O anteprojeto já foi aprovado pela Mesa Diretora da Câmara, no último dia 16. Em seguida, a proposta será incluída na pauta do Congresso (sessão conjunta da Câmara e do Senado), ainda sem data marcada.
A indefinição sobre a composição dos representantes brasileiros está impedindo a realização de sessões deliberativas pelo Parlasul, uma vez que o órgão não pode se reunir sem a presença de todas as delegações dos países que compõem o bloco (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai). A Venezuela ainda está em processo de adesão ao bloco.
Eleições diretas
A proposta de resolução determina ainda que a escolha dos representantes seja feita por líderes partidários, respeitando tanto quanto possível o critério da proporcionalidade. A escolha dos representantes por eleição direta ficou prejudicada pela falta de acordo, que impediu o Congresso Nacional de aprovar uma nova resolução em tempo hábil antes das últimas eleições.
Fonte: http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/RELACOES-EXTERIORES
segunda-feira, 14 de março de 2011
Unasul e Itaipu criam polêmicas nas votações da Câmara
Passado o Carnaval, os trabalhos na Câmara e Senado voltam ao normal. Na pauta de votação do plenário das duas casas predominam as Medidas Provisórias. Na Câmara, dois Projetos de Decreto Legislativo relativos à constituição da Unasul e à alteração do Tratado Binacional de Itaipu, que devem ser votados em sessão extraordinária, vão dividir governistas e oposição.
Os dois projetos de decreto legislativo devem ser pautados, provavelmente na quarta-feira (16), em sessão extraordinária. Essa definição deve ser feita na reunião do Colégio de Líderes que será realizada nesta terça-feira (15). Os temas dos dois acordos a serem ratificados não devem ter apoio da oposição e prometem muitas discussões no plenário.Já as duas Medidas Provisórias (MPs) da Câmara não devem ter maiores polêmicas para ser aprovadas. No Senado, a Medida Provisória do Sigilo Fiscal perderá a validade se não for votada até esta terça-feira (15).
Revisão do Tratado de Itaipu
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), pretende votar o pedido de urgência para a votação do projeto de decreto legislativo que triplica o valor repassado pelo governo brasileiro ao Paraguai pela compra de energia excedente da hidrelétrica de Itaipu - proposta criticada pela oposição e setores do Executivo.
Há três semanas ele tenta votar o requerimento para acelerar a votação do tratado de Itaipu, uma de suas prioridades. Sem a urgência, o tratado será analisado por várias comissões técnicas – de Relações Exteriores e de Defesa Nacional; de Minas e Energia; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania; e finalmente pelo plenário. Com a proposta, o texto pode ser relatado por todas as comissões e votado numa mesma sessão do plenário.
Unasul criada
O anúncio de que o Uruguai ratificou nesta semana sua adesão ao Tratado Constitutivo da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) pode acelerar a análise pela Câmara do projeto de decreto legislativo de adesão do Brasil na Câmara. Após as adesões de Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, a ratificação do Uruguai cumpre o requisito mínimo de pelo menos nove países para que a Unasul adquira personalidade jurídica. Com isso, o tratado que cria a Unasul começa a valer a partir de 11 de março deste ano, 30 dias após a nona ratificação, mesmo sem ter sido aprovado pelo Congresso Nacional brasileiro.
A Unasul será uma área de integração continental que abrangerá 12 países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. O tratado prevê que a organização terá como objetivo eliminar a desigualdade socioeconômica, alcançar a inclusão social e a participação cidadã e fortalecer a democracia, a soberania e a independência dos estados por meio da integração e união desses países, na área cultural, social, econômico e política.
O deputado Dr. Rosinha (PT-PR) diz que, por questões ideológicas, a oposição têm dificultado a aprovação do projeto. O deputado reclama que o impasse não é muito bem explicitado pelos partidos como o PSDB, o PPS e o DEM. “Eles não explicam, ponto por ponto, por que eles se opõem. Acho que é um conceito mais ideológico do que de mérito. Ideologicamente, sabemos que eles se opõem à integração sul-americana. Sabemos que eles têm muito mais afinidade ideológica com a política norte-americana, do que com a política da América do Sul".
Matérias de consenso
Acordo de líderes na Câmara reservou esta semana para a votação de duas Medidas Provisórias (MPs) e, no Senado, também deve haver votação da MP do Sigilo Fiscal que perde a validade se não for votada até amanhã.
A votação das duas MPs não provoca polêmica. A primeira trata de um crédito orçamentário para a manutenção do transporte e da alimentação escolares e a outra adia a vigência dos atuais contratos de franquia da Empresa de Correios e Telégrafos por 45 dias, prazo necessário para que a Empresa possa concluir o processo licitatório para formalização dos contratos dos novos postos, em junho próximo.
No Senado, a Medida Provisória do Sigilo Fiscal está esperando na pauta para ser votada até amanhã, sob pena de perder a validade. Essa medida provisória estabeleceu punição mais rigorosa aos servidores que violarem sigilo fiscal. O relator, João Vicente Claudino (PTB-PI), também não poderá acolher emendas ao texto, porque não há tempo hábil para que a matéria retorne à Câmara.
Banda larga nas escolas
A Câmara pode votar, também em sessão extraordinária a ser marcada para esta terça-feira (15), o Projeto de Lei do Senado, que estabelece a meta de conectar todas as escolas públicas à internet de banda larga até 2013, com prioridade para as situadas na zona rural.
O projeto permite o uso de recursos do Fundo de Universalização de Serviços de Telecomunicações (Fust) para essa finalidade e, de acordo com o substitutivo
da Comissão Especial de Redes Digitais de Informação, o Ministério das Comunicações definirá, anualmente, a parcela dos recursos do fundo que deverá ser aplicada para alcançar essa meta.
A votação do projeto tem acordo entre os partidos, mas a matéria será discutida no Colégio de Líderes antes de ser analisada, segundo informou o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS).
Fonte: http://www.vermelho.org.br
sábado, 19 de fevereiro de 2011
A primavera árabe se espalha
De onde o continente africano encontra o oceano Atlântico, no Marrocos, cruzando a extensão dos mares Mediterrâneo e Vermelho, englobando a península arábica para atravessar o golfo Pérsico até os limites da Ásia, no Irã, mais de 300 milhões de pessoas vivem em uma região sob ameaça de convulsão social decorrente de eventos que podem representar a maior redistribuição de forças no tabuleiro geopolítico global desde o fim do comunismo no Leste Europeu. A expressão barril de pólvora nunca fez tanto sentido.
O artigo é de Wilson Sobrinho.
A Primavera Árabe, como parte da imprensa tem se referido aos acontecimentos iniciados em dezembro na Tunísia e que na metade de fevereiro derrubaram o governo do Egito, transformou-se em uma rebelião tão grande que agora já transborda os limites daquele que é um dos verdadeiros parâmetros de grandeza do planeta Terra, o deserto do Saara.
De onde o continente africano encontra o oceano Atlântico, no Marrocos, cruzando a extensão dos mares Mediterrâneo e Vermelho, englobando a península arábica para atravessar o golfo Pérsico até os limites da Ásia, no Irã, mais de 300 milhões de pessoas vivem em uma região sob ameaça de convulsão social decorrente de eventos que podem representar a maior redistribuição de forças no tabuleiro geopolítico global desde o fim do comunismo no Leste Europeu. A expressão barril de pólvora nunca fez tanto sentido.
Argélia – Os argelinos primeiro foram as ruas para protestar contra a alta no preço dos alimentos em janeiro último. Os confrontos deixaram um saldo de 5 mortos e 800 feridos. No sábado (12/02) depois da queda do governo egípcio, mais protestos foram convocados pela oposição. Duas mil pessoas compareceram às ruas da capital Argel. 30 mil soldados os esperavam. Relatos dão conta de que 350 pessoas foram presas na ocasião. Mais protestos estão programados para este final de semana, apesar do estado de emergência, em vigor desde 1992, que proíbe manifestações públicas no país. Na segunda cidade da Argélia, Orã, por exemplo, as autoridades deram permissão para manifestações, contanto que aconteçam em locais fechado.
A dissolução da lei de emergência e a saída do presidente Abdelaziz Bouteflika são algumas das bandeiras dos manifestantes. Bouteflika, que está no poder desde 1999 e recentemente alterou a regra que limitava o número de vezes que pode concorrer à reeleição, anunciou que deverá revogar a lei de emergência em semanas. Nos anos 1990, uma guerra civil ceifou entre 150 e 200 mil vidas no país.
Arábia Saudita – Parcos foram os eventos até agora no país que guarda em seu subsolo um quinto das reservas de petróleo do mundo e que é o alicerce maior dos EUA no Oriente Médio. E poucos acreditam que o pavio saudita possa ser acesso, mas diante de tanta instabilidade ninguém ficará surpreso caso isso aconteça.
Neste sábado (19/02), membros da minoria xiitas do país teriam organizado uma manifestação pacífica e silenciosa em apoio aos seus pares de Bahrein, relata a agência Reuters.
Bahrein – As manifestações começaram no dia 14 de fevereiro, três dias depois da queda de Cairo. Quatro pessoas morreram quando as forças do governo tentavam retirar manifestantes da praça Pérola, na quinta-feira (17/02), em Manama, a capital dessa ilha do golfo Pérsico que abriga a Quinta Frota da marinha dos EUA. No enterro dos mortos, mais violência resultou em pelo menos 50 feridos. O governo, que primeiro pediu que os manifestantes abandonassem as ruas, passou chamar o diálogo, rejeitado pelas forças de oposição sob o argumento de que não há conversa possível com o exército nas ruas.
Com 1,2 milhões de habitantes apenas, essa ilha do golfo Pérsico espremida entre o Catar e a Arábia Saudita está longe de ser a mais desimportante das repúblicas em convulsão. Analistas alertam que Bahrein pode representar a porta de entrada da Arábia Saudita na crise. Já que as demandas da maioria xiita do país são semelhantes a dos xiitas árabes, minoria concentrada na região leste do país.
Egito – Uma semana depois da queda de Hosni Mubarak – o mais espetacular dos eventos alcançados pelos manifestantes nessa onda de revolta árabe até o momento – milhares de pessoas voltaram à praça Tahrir para celebrar o feito. Mas a manifestação pode ser compreendida também como um sinal de alerta às forças armadas que tomaram o poder depois da saída de Mubarak. Depois de derrubar um regime de 30 anos, em 18 dias de protestos, os egípcios sabem que sua revolução ainda não terminou até que o poder provisório dê lugar a um com regras bem claras e estabelecidas.
Iêmen – no sul da península arábica, esse país tem, segundo a revista britânica The Economist, o maior potencial para ruptura social entre todos os envolvidos na revolta até agora. Há 32 anos no poder, Ali Abdullah Saleh anunciou em início de fevereiro que não irá buscar um novo mandato em 2013, nem irá apontar seu filho como herdeiro político. O comprometimento veio depois de uma manifestação que levou 16 mil pessoas às ruas da capital, Sana, pedindo a queda do governo.
No dia seguinte ao anúncio, 20 mil pessoas voltaram às ruas da capital e de outras cidades para reforçar o pedido de fim do regime. Depois da queda de Mubarak, no Egito, manifestações diárias vem acontecendo no Iêmen. A maior delas, na sexta-feira, 18, quando milhares de manifestantes antigoverno foram às ruas da capital. Reprimidos pelo exército e por ativistas pró-governo, que chegaram a atirar uma granada em um grupo de pessoas, a contagem de mortos entre os manifestantes já chega a 12.
Irã – Embora aplauda o levante popular em outras partes do mundo islâmico, Teerã – que divide com a Líbia o posto de maior inimigo dos EUA na região – não quer que o mesmo aconteça em seu território. Por outro lado, a oposição pretende aproveitar a onda de rebeldia para recobrar forças e voltar a desafiar o governo de Mahmoud Ahmadinejad.
Dois manifestantes foram mortos na segunda-feira, dia 14, na capital, em confrontos envolvendo grupos de oposição e forças do governo. Como resposta, a oposição está chamando para domingo, dia 20, uma manifestação contra o governo, que por sua vez colocou os líderes oposicionistas em prisão domiciliar.
Jordânia – Outro país onde as manifestações começaram em janeiro, fomentadas por altas nos preços de comida e energia. Em 28 de janeiro, 3,5 mil ativistas tomaram as ruas da capital, Amã, exigindo a saída do primeiro-ministro e uma ação mais forte do governo em relação ao desemprego e a alta do custo de vida. O rei Abdullah II foi rápido ao intervir e a dissolução do governo foi anunciada em começo de fevereiro. As manifestações seguiram, agora com a oposição pedindo reformas políticas e democracia.
O único confronto registrado até agora na Jordânia aconteceu na sexta-feira, 18 de fevereiro, quando um grupo de manifestantes favoráveis ao governo atacou os oposicionistas com paus e pedras, até a polícia intervir.
Líbia – Excluindo-se o rei da Tailândia e a rainha da Inglaterra, ninguém está no poder há tanto tempo quanto Muammar al-Gaddafi. O homem que comanda a Líbia desde o fim dos anos 1960 viu a revolta oposicionista ser incensada pelos eventos do Egito e da Tunísia. Desde o dia 15 de fevereiro, terça-feira, as manifestações contra Gaddafi são diárias no país principalmente na cidade de Bengasi, a segunda maior do país. Segundo agências internacionais, mas de 80 pessoas já teriam morrido em confrontos entre manifestantes e forças do governo.
Em Trípoli, porém, não há relatos de grandes protestos até o momento e e o único evento relacionado à crise foi uma resposta de seguidores do governo ao protestos convocados pela oposição. Há relatos de que o governo teria bloqueado o acesso à internet no país, ou pelo menos a sites como Facebook e Twitter, armas reconhecidas dos oposicionistas em outros países.
Marrocos – Os protestos em massa no país ainda não ganharam as ruas, mas estão prestes a fazê-lo. A oposição está convocando uma manifestação neste domingo (20/02). Organizados via Internet os manifestantes afirmam não ser um movimento antimonarquia e que apenas querem “um governo que represente as pessoas e não a elite”, como descreveu para a Associated Press nessa semana um dos membros do grupo chamado 20 de Fevereiro.
Tunísia – Quando Mohamed Bouazizi colocou fogo em si mesmo, no dia 17 de dezembro de 2010, como um ato de desespero depois de ter suas mercadorias confiscadas pelas autoridades policiais da Tunísia, ele não teria como imaginar o que se seguiria. O ato do jovem vendedor de rua serviu de gatilho para a Primavera Árabe. Menos de um mês depois, o presidente de mais de 24 anos no comando do país africano havia sido colocado para correr e os portões do inferno haviam sido abertos para todos os déspotas da região.
Mais de 200 pessoas morreram no processo, que ainda não acabou. Apesar da mudança de governo, os manifestantes tunisianos seguem mobilizados para garantir que antigos membros do governo não voltem à cena e que a transição para a democracia ocorra de fato.
De onde o continente africano encontra o oceano Atlântico, no Marrocos, cruzando a extensão dos mares Mediterrâneo e Vermelho, englobando a península arábica para atravessar o golfo Pérsico até os limites da Ásia, no Irã, mais de 300 milhões de pessoas vivem em uma região sob ameaça de convulsão social decorrente de eventos que podem representar a maior redistribuição de forças no tabuleiro geopolítico global desde o fim do comunismo no Leste Europeu. A expressão barril de pólvora nunca fez tanto sentido.
Argélia – Os argelinos primeiro foram as ruas para protestar contra a alta no preço dos alimentos em janeiro último. Os confrontos deixaram um saldo de 5 mortos e 800 feridos. No sábado (12/02) depois da queda do governo egípcio, mais protestos foram convocados pela oposição. Duas mil pessoas compareceram às ruas da capital Argel. 30 mil soldados os esperavam. Relatos dão conta de que 350 pessoas foram presas na ocasião. Mais protestos estão programados para este final de semana, apesar do estado de emergência, em vigor desde 1992, que proíbe manifestações públicas no país. Na segunda cidade da Argélia, Orã, por exemplo, as autoridades deram permissão para manifestações, contanto que aconteçam em locais fechado.
A dissolução da lei de emergência e a saída do presidente Abdelaziz Bouteflika são algumas das bandeiras dos manifestantes. Bouteflika, que está no poder desde 1999 e recentemente alterou a regra que limitava o número de vezes que pode concorrer à reeleição, anunciou que deverá revogar a lei de emergência em semanas. Nos anos 1990, uma guerra civil ceifou entre 150 e 200 mil vidas no país.
Arábia Saudita – Parcos foram os eventos até agora no país que guarda em seu subsolo um quinto das reservas de petróleo do mundo e que é o alicerce maior dos EUA no Oriente Médio. E poucos acreditam que o pavio saudita possa ser acesso, mas diante de tanta instabilidade ninguém ficará surpreso caso isso aconteça.
Neste sábado (19/02), membros da minoria xiitas do país teriam organizado uma manifestação pacífica e silenciosa em apoio aos seus pares de Bahrein, relata a agência Reuters.
Bahrein – As manifestações começaram no dia 14 de fevereiro, três dias depois da queda de Cairo. Quatro pessoas morreram quando as forças do governo tentavam retirar manifestantes da praça Pérola, na quinta-feira (17/02), em Manama, a capital dessa ilha do golfo Pérsico que abriga a Quinta Frota da marinha dos EUA. No enterro dos mortos, mais violência resultou em pelo menos 50 feridos. O governo, que primeiro pediu que os manifestantes abandonassem as ruas, passou chamar o diálogo, rejeitado pelas forças de oposição sob o argumento de que não há conversa possível com o exército nas ruas.
Com 1,2 milhões de habitantes apenas, essa ilha do golfo Pérsico espremida entre o Catar e a Arábia Saudita está longe de ser a mais desimportante das repúblicas em convulsão. Analistas alertam que Bahrein pode representar a porta de entrada da Arábia Saudita na crise. Já que as demandas da maioria xiita do país são semelhantes a dos xiitas árabes, minoria concentrada na região leste do país.
Egito – Uma semana depois da queda de Hosni Mubarak – o mais espetacular dos eventos alcançados pelos manifestantes nessa onda de revolta árabe até o momento – milhares de pessoas voltaram à praça Tahrir para celebrar o feito. Mas a manifestação pode ser compreendida também como um sinal de alerta às forças armadas que tomaram o poder depois da saída de Mubarak. Depois de derrubar um regime de 30 anos, em 18 dias de protestos, os egípcios sabem que sua revolução ainda não terminou até que o poder provisório dê lugar a um com regras bem claras e estabelecidas.
Iêmen – no sul da península arábica, esse país tem, segundo a revista britânica The Economist, o maior potencial para ruptura social entre todos os envolvidos na revolta até agora. Há 32 anos no poder, Ali Abdullah Saleh anunciou em início de fevereiro que não irá buscar um novo mandato em 2013, nem irá apontar seu filho como herdeiro político. O comprometimento veio depois de uma manifestação que levou 16 mil pessoas às ruas da capital, Sana, pedindo a queda do governo.
No dia seguinte ao anúncio, 20 mil pessoas voltaram às ruas da capital e de outras cidades para reforçar o pedido de fim do regime. Depois da queda de Mubarak, no Egito, manifestações diárias vem acontecendo no Iêmen. A maior delas, na sexta-feira, 18, quando milhares de manifestantes antigoverno foram às ruas da capital. Reprimidos pelo exército e por ativistas pró-governo, que chegaram a atirar uma granada em um grupo de pessoas, a contagem de mortos entre os manifestantes já chega a 12.
Irã – Embora aplauda o levante popular em outras partes do mundo islâmico, Teerã – que divide com a Líbia o posto de maior inimigo dos EUA na região – não quer que o mesmo aconteça em seu território. Por outro lado, a oposição pretende aproveitar a onda de rebeldia para recobrar forças e voltar a desafiar o governo de Mahmoud Ahmadinejad.
Dois manifestantes foram mortos na segunda-feira, dia 14, na capital, em confrontos envolvendo grupos de oposição e forças do governo. Como resposta, a oposição está chamando para domingo, dia 20, uma manifestação contra o governo, que por sua vez colocou os líderes oposicionistas em prisão domiciliar.
Jordânia – Outro país onde as manifestações começaram em janeiro, fomentadas por altas nos preços de comida e energia. Em 28 de janeiro, 3,5 mil ativistas tomaram as ruas da capital, Amã, exigindo a saída do primeiro-ministro e uma ação mais forte do governo em relação ao desemprego e a alta do custo de vida. O rei Abdullah II foi rápido ao intervir e a dissolução do governo foi anunciada em começo de fevereiro. As manifestações seguiram, agora com a oposição pedindo reformas políticas e democracia.
O único confronto registrado até agora na Jordânia aconteceu na sexta-feira, 18 de fevereiro, quando um grupo de manifestantes favoráveis ao governo atacou os oposicionistas com paus e pedras, até a polícia intervir.
Líbia – Excluindo-se o rei da Tailândia e a rainha da Inglaterra, ninguém está no poder há tanto tempo quanto Muammar al-Gaddafi. O homem que comanda a Líbia desde o fim dos anos 1960 viu a revolta oposicionista ser incensada pelos eventos do Egito e da Tunísia. Desde o dia 15 de fevereiro, terça-feira, as manifestações contra Gaddafi são diárias no país principalmente na cidade de Bengasi, a segunda maior do país. Segundo agências internacionais, mas de 80 pessoas já teriam morrido em confrontos entre manifestantes e forças do governo.
Em Trípoli, porém, não há relatos de grandes protestos até o momento e e o único evento relacionado à crise foi uma resposta de seguidores do governo ao protestos convocados pela oposição. Há relatos de que o governo teria bloqueado o acesso à internet no país, ou pelo menos a sites como Facebook e Twitter, armas reconhecidas dos oposicionistas em outros países.
Marrocos – Os protestos em massa no país ainda não ganharam as ruas, mas estão prestes a fazê-lo. A oposição está convocando uma manifestação neste domingo (20/02). Organizados via Internet os manifestantes afirmam não ser um movimento antimonarquia e que apenas querem “um governo que represente as pessoas e não a elite”, como descreveu para a Associated Press nessa semana um dos membros do grupo chamado 20 de Fevereiro.
Tunísia – Quando Mohamed Bouazizi colocou fogo em si mesmo, no dia 17 de dezembro de 2010, como um ato de desespero depois de ter suas mercadorias confiscadas pelas autoridades policiais da Tunísia, ele não teria como imaginar o que se seguiria. O ato do jovem vendedor de rua serviu de gatilho para a Primavera Árabe. Menos de um mês depois, o presidente de mais de 24 anos no comando do país africano havia sido colocado para correr e os portões do inferno haviam sido abertos para todos os déspotas da região.
Mais de 200 pessoas morreram no processo, que ainda não acabou. Apesar da mudança de governo, os manifestantes tunisianos seguem mobilizados para garantir que antigos membros do governo não voltem à cena e que a transição para a democracia ocorra de fato.
Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17455
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